Quando olho para trás, percebo que nada aconteceu de forma planejada. Cada etapa foi preparando a seguinte, como se a própria vida estivesse construindo, pouco a pouco, aquilo que hoje se tornou meu trabalho.
Durante muitos anos segui outro caminho profissional. Construí uma carreira sólida, desenvolvi meu olhar para a estética, aprendi sobre relacionamento humano, comunicação, cuidado, disciplina e excelência no atendimento. Sem perceber, já estava desenvolvendo habilidades que mais tarde fariam parte da minha atuação como terapeuta.
Ao mesmo tempo, a espiritualidade sempre caminhou ao meu lado. Nem sempre de forma compreendida. Nem sempre de forma consciente. Mas sempre presente.
Eu buscava respostas em diferentes lugares. Estudava, vivenciava experiências espirituais, mergulhava nas medicinas da floresta e observava cada vez mais profundamente o comportamento humano.
Até que, durante uma meditação, recebi um chamado muito claro para retomar conhecimentos terapêuticos que faziam parte da minha formação em Terapia Holística, realizada anos antes.
Na época, simplesmente ignorei.
Poucos meses depois, veio a pandemia. Minha rotina profissional mudou completamente e foi naquele momento que compreendi que aquele chamado precisava ser ouvido.
Sem grandes planejamentos, comecei a atender pessoas.
Nascia ali a Jurema Rainha Terapias, uma homenagem à Cabocla Jurema, cuja presença espiritual representava, para mim, o início dessa caminhada.
No começo, tudo era extremamente simples.
- Uma esteira no chão.
- Uma vela acesa.
- Um copo com água.
- Muito estudo.
- E uma enorme vontade de ajudar.
Eu não estabelecia um preço fixo. Pedia apenas que cada pessoa contribuísse com aquilo que sentisse ser justo.
O objetivo nunca foi construir uma empresa. Era simplesmente servir.
As pessoas começaram a voltar. Vieram os primeiros relatos de transformação, as indicações, novos pacientes.
Durante algum tempo, vivi duas vidas profissionais ao mesmo tempo: de um lado, uma carreira construída ao longo de dezessete anos; do outro, uma clínica que ainda dava seus primeiros passos.
Cada pessoa que chegava também me ensinava algo sobre o trabalho.
Percebi que nenhuma técnica, isoladamente, dava conta da complexidade que eu encontrava diante de mim. Em cada processo, diferentes dimensões pediam espaço: a história, a escuta, as emoções, os padrões, a espiritualidade.
Passei a estudar cada vez mais.
A Psicanálise transformou profundamente minha forma de compreender o sofrimento humano. E a espiritualidade também encontrou um novo lugar dentro do meu trabalho: deixou de ocupar o centro de todos os atendimentos e passou a integrar o processo como uma das dimensões possíveis do cuidado.
Quanto mais eu estudava e atendia, mais percebia que meu trabalho já não cabia dentro de uma única abordagem. Era necessário integrar.
E a própria identidade do trabalho também precisava amadurecer. Assim nasceu Thiago Sáh, não apenas como uma mudança de nome, mas como a consolidação de uma nova identidade profissional.
Foi nesse mesmo movimento que o antigo Ciclo 21 começou a ser lapidado até se transformar no processo terapêutico que conduzo hoje e que atualmente chamo de RAÍZES.
Não como um conjunto de técnicas, mas como uma forma estruturada de vivenciar meu método terapêutico, com começo, meio e fim, criando espaço para compreender a própria história, elaborar conflitos e desenvolver recursos para sustentar o próprio caminho.
Hoje, quando olho para trás, percebo que meu trabalho é resultado de muitos anos de busca, estudo, formação, vivências, espiritualidade e prática clínica.
Tudo aquilo que parecia fazer parte de caminhos diferentes acabou encontrando um ponto de integração. E talvez seja justamente essa a história por trás do meu trabalho.
Toda transformação verdadeira começa pelas raízes.